O que você tolera, você ensina

Tem um momento específico que acontece em toda empresa que está perdendo a sua cultura. Ele não aparece em um relatório financeiro, não tem data marcada no calendário e não chega com aviso prévio.

Ele aparece em um corredor. Em uma conversa que você ouviu sem querer. Em um comportamento inadequado que você presenciou, sentiu o incômodo… e escolheu não dizer nada.

“Só dessa vez.”

Mas não foi só dessa vez. Foi da segunda, da quinta, da décima. E cada vez que você passou por cima, o time inteiro viu e tirou uma conclusão silenciosa: aqui isso é permitido.

Isso não foi uma decisão oficial de ninguém; foi um ensinamento construído no dia a dia.

A queda silenciosa da sua cultura

Cultura não é o que está escrito no quadro bonito da entrada da empresa. Cultura é o que acontece no corredor quando você não está olhando. É o que o líder faz quando se depara com um erro e está sozinho para decidir: corrijo ou ignoro?

E quando a resposta do líder é ignoro, a cultura decide por ele.

  • O comportamento tolerado vira hábito.

  • O hábito vira norma.

  • A norma vira a verdadeira cultura.

E aí, um dia você olha ao redor e simplesmente não reconhece mais a empresa que queria ter construído.

A armadilha do “resultado a qualquer preço”

Existe uma variação desse problema que é ainda mais perigosa: o colaborador que entrega um ótimo resultado e, por isso, tem seus desvios comportamentais tolerados.

A lógica da liderança despreparada parece razoável na superfície: “Ele bate a meta, então eu deixo passar.”

Mas o que o time aprende com essa tolerância é devastador. A equipe aprende que o resultado justifica qualquer atitude e que existe uma regra para quem entrega e outra regra totalmente diferente para quem não entrega.

A pior mensagem para os seus melhores talentos

É aqui que o estrago se torna irreversível.

As pessoas que possuem valores alinhados, que se comportam bem independentemente do resultado e que zelam pela empresa observam essa incoerência. E elas chegam à pior conclusão possível:

“Nesta empresa, não compensa ser íntegro.”

Fique em alerta máximo dentro da sua operação. O que você ignora, você permite. O que você permite, você multiplica. E o que você multiplica, chega um dia em que você não consegue mais desfazer.

No fim das contas, a regra é clara e vale para todo líder: aquilo que você tolera, você ensina. Sempre!