O que fazer quando você percebe que está sozinho
Você já contratou alguém que parecia perfeito na entrevista?
Olhos brilhando, discurso afinado, falou tudo o que você queria ouvir sobre comprometimento, trabalho em equipe e vontade de crescer. Você saiu daquela conversa animado, com aquela sensação boa de que, desta vez, a história seria diferente.
Mas não foi.
Três meses depois, você se pegou explicando as mesmas coisas de novo, cobrando os mesmos detalhes de novo e carregando a pessoa nas costas de novo. Se isso já aconteceu na sua empresa, o problema principal não foi a contratação em si… foi a entrevista.
A armadilha de vender o sonho antes da hora
A maioria dos empresários e líderes chega na entrevista empolgada para contar o seu sonho. Falam da empresa, da cultura, das oportunidades de futuro e do crescimento que esperam.
E o candidato, que é inteligente, escuta tudo com atenção e simplesmente devolve exatamente o que você acabou de sinalizar que queria ouvir.
Grave este conceito: Entusiasmo não é valor. Entusiasmo, muitas vezes, pode ser apenas uma boa atuação.
A entrevista correta deve funcionar exatamente ao contrário. Antes de apresentar o seu projeto e “vender” a sua empresa, você precisa investigar quem é aquela pessoa de verdade. Não pelo que está escrito de forma estática no currículo, mas pelo seu padrão comportamental.
Mude o foco da investigação
Em vez de fazer perguntas teóricas ou dar pistas sobre o que você valoriza, faça perguntas que revelem o histórico real de comportamento do candidato. Faça um diagnóstico silencioso:
Como ela fala dos empregos anteriores? Existe respeito e aprendizado ou apenas mágoa, fofoca e reclamação?
Ela assume o que não deu certo? Ou sempre existe um culpado externo (a crise, o antigo chefe, a falta de ferramentas, a equipe anterior)?
O que a move de verdade? A construção de uma trajetória profissional ou apenas a conveniência imediata da vaga?
Como ela age quando ninguém está olhando?
O sinal invisível do passado
Existe um sinal sutil, mas que revela quase tudo sobre o momento de evolução do profissional: a forma como ele fala do próprio passado.
Tem gente cujas histórias todas terminam no que já foi. Tudo o que realizou de grande, tudo o que sabe fazer e tudo o que ela é parece congelado em algum momento que já passou. Esse perfil de profissional entrou, executou no passado e parou no tempo. Ele foi, mas não está mais indo.
É preciso saber separar o que a sua empresa precisa para cada nível de atuação:
Para o nível operacional: Você quer foco, disciplina e execução consistente do padrão.
Para o nível estratégico: Você precisa de alguém que ainda está em movimento. Alguém que estuda, que se atualiza, que erra, aprende e olha para frente com curiosidade genuína.
A curiosidade é o sinal de crescimento. A ausência de curiosidade é o seu maior alerta de estagnação.
Da compatibilidade ao cúmplice
Só depois de entender quem essa pessoa é de verdade, de decifrar o seu padrão e de mapear o seu comportamento, é que você deve apresentar a sua visão e o seu projeto de futuro.
Nesse momento, não observe apenas a empolgação ou os olhos brilhando do candidato. Observe a coerência. Veja se o que ele valoriza pessoalmente e o que você está construindo na sua indústria apontam, de fato, para a mesma direção.
Quando esses dois caminhos se cruzam de forma autêntica, você não encontrou apenas mais um funcionário para preencher uma vaga operacional.
Você encontrou um cúmplice para o futuro da sua empresa.